segunda-feira, 23 de maio de 2016

Uma cantiga de escárnio e maldizer

As cantigas de escárnio

Nessa cantiga, o eu-lírico, faz uma crítica (sátira) indireta e com duplos sentidos a alguém. Para os trovadores fazerem uma cantiga de escárnio, ele precisa compor uma cantiga falando mal de alguém, ou seja, fazendo uma critica a alguma pessoa, através de palavras de duplo sentido, ou seja, através de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, através de um processo denominado pelos trovadores de equívoco.

Essa cantiga é capaz de estimular a imaginação do autor, sugerindo-lhe uma nova expressão irônica.

Vejamos um exemplo de cantiga de escárnio:

Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!…

As cantigas de Maldizer

Esse tipo de cantiga, também traz críticas, ou seja sátiras diretas, porém não são acompanhadas de duplos sentidos. É normal que ocorra agressões verbais à pessoa que está sendo criticada, ou seja, satirizada, geralmente usa-se até mesmo palavrões para compor esse tipo de cantiga, onde se revela ou não o nome da pessoa que está sendo agredida verbalmente.

Vejamos um exemplo de cantiga de Maldizer:

Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!…

Obs.: O conteúdo acima foi extraído da página citada abaixo na fonte.

Fonte:
http://www.colegioweb.com.br/trovadorismo/as-cantigas-satiricas-de-escarnio-e-de-maldizer.html#ixzz49WM40O4I

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Uma cantiga de escárnio e maldizer, escrita pelo rei dom Alfonso, de conteúdo fortemente crítico contra os nobres, pelos quais o monarca se sente traído.

Cantiga de Maio - "O que da guerra levou cavaleiros"

El que de la guerra se llevó caballeros
y se fue a su tierra a guardar los dineros,
no viene al mayo.
El que de la guerra se fue con maldad
y se fue a su tierra a comprar fincas...

El que de la guerra se fue con hostilidad,
pero no vino cuando debía hacerlo por pleitesía...
El que de la guerra se fue espantado
y se fue a su tierra a ponerse el manton...

El que de la guerra se fue 
con gran miedo a su tierra, sembrando vallas...
El que por la guerra fue muy criticado, 
aunque hizo pintar un escudo en Burgos...

El que traía el paño de lino, 
pero no vino para San Martín...
El que traía el pendón enarbolado
y no ha heredado el humor de su padre...

El que traía pendón sin tener ni ocho caballeros
y a su gente no le daba pan cocido...
El que sin tener ni siete caballeros traía pendón
y cinta ancha y gran escudo...

El que traía pendón pero no tienda, 
por lo que ahora sé de su hazienda...
El que traía pendón de seda gruesa,
aunque no vino en el mes de marzo...

El que se ausentó de la cita del día de San Martín
y se fue a su tierra a beber los vinos...
El que huyó de la frontera con miedo,
aunque traía pendón pero no caldera...

El que robó a los moros malditos
y se fue a su tierra a robar cabritos,
no viene al mayo.

Escute a cantiga no YouTube:
Cantiga de Maio - "O que da guerra levou cavaleiros"