quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dona Isabel, a Princesa Imperial do Brasil

Princesa Dona Isabel em 1910

Sua Alteza Imperial e Real Dona Isabel,
a Princesa Imperial do Brasil, Condessa d'Eu, A Redentora 

(Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, de Orléans e Bragança - nascida de Bragança e Bourbon). Nasceu no Paço Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, no Brasil em 29 de julho de 1846. Nascida Princesa Dona Isabel do Brasil, veio a ser, em 1847, Princesa Imperial do Brasil, ou seja, herdeira presuntiva ao trono. Foi Regente do Brasil durante três ocasiões. Casou-se, em 1864, com o Marechal Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston d'Orléans (1842-1922), Príncipe de França e Conde d'Eu.

Após seu casamento, ocorreu uma junção matrimonial entre a Casa de Bragança e a de Orléans, originando o nome Orléans e Bragança, que foi passado, exclusivamente, aos descendentes de Gaston d'Orléans e dona Isabel. Também, por ela ter sido a herdeira do trono imperial brasileiro, os seus descendentes - os Orléans e Bragança - são os atuais herdeiros da extinta coroa imperial do Brasil.

A princesa dona Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono, a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição Imperial do Brasil, de 1824 - a primeira carta constitucional brasileira.

Brasão Imperial

Com a morte de seu pai, em 1891, tornou-se a Chefe da Casa Imperial do Brasil e a primeira na linha sucessória ao extinto trono imperial brasileiro, sendo considerada, de jure, Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Imperatriz Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil, conforme a Constituição de 1824.
Uma das mulheres mais citadas na história do Brasil, Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a princesa dona Isabel, colocou um ponto final no dia 13 de maio de 1888 em uma das maiores manchas do país - a escravidão. Naquele domingo, a princesa dona Isabel assinou a Lei 3.353, mais conhecida como "Lei Áurea", declarando extinta a escravidão no Brasil, mesmo enfrentando muitas resistências dos fazendeiros e da elite em geral.

"A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade, o Imperador dom Pedro II, faz saber a todos os súditos do império, que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte: Artigo 1º - É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil; Artigo 2º - Revogam-se as disposições em contrário"
, dizia o texto que libertou milhões de escravos, que por três séculos serviu de mão de obra para o crescimento do país.

Segunda filha de dom Pedro II e da imperatriz dona Teresa Cristina, a princesa dona Isabel foi, por três vezes, regente do império.

Em 28 de setembro de 1871, ela também sancionou a Lei do Ventre Livre, o primeiro passo efetivo para o fim da escravidão no Brasil - a lei estabelecia que todos os filhos de escravos estavam livres. A Lei do Ventre Livre foi assinada na época em que dom Pedro II fez a sua primeira viagem para a Europa, deixando, pela primeira vez, a princesa dona Isabel como regente do império.

Disposta a acabar com a escravidão no Brasil, a princesa dona Isabel pressionou o ministério, que era contrário à abolição. A pressão exercida pela princesa deu resultado e o Gabinete foi dissolvido e seus integrantes foram substituídos por pessoas que defendiam o fim da escravatura. Em abril de 1888, um mês antes da assinatura da Lei Áurea, ela entregou 103 cartas de alforria para alguns escravos, deixando claro que esperava da Câmara Federal a aprovação da lei, o que, de fato, aconteceu.

Com a morte de seu irmão mais velho, o príncipe dom Afonso, tornou-se a herdeira do trono e sucessora do seu pai quando tinha apenas 11 meses. O reconhecimento oficial como sucessora aconteceu no dia 10 de agosto de 1850. No dia 29 de julho de 1860, ao completar 14 anos, a princesa dona Isabel prestou juramento comprometendo-se a manter no Brasil a religião católica e ser obediente às leis e ao imperador.

Somente depois de 11 anos de casamento - fato raro à época -, é que princesa dona Isabel teve o seu primeiro filho, dom Pedro de Alcântara. Depois, vieram mais dois: dom Luiz Maria Felipe e dom Antônio Gusmão Francisco. Com a proclamação da República, em 1889, a família imperial embarcou para o exílio na Europa. Ao lado de amigos, filhos e netos, e com grande dificuldade para se locomover - precisava do auxílio de uma cadeira de rodas -, a princesa dona Isabel viveu os seus últimos dias na França, no Château d'Eu, na Normandia, onde morreu no dia 14 de novembro de 1921. Os seus restos mortais foram transferidos para o Rio de Janeiro, juntamente com os de seu marido, em 1953.

Château d'Eu, Normandia, França