terça-feira, 17 de maio de 2011

Feliz Lua Cheia de Maio!!!

Hoje é a Lua Cheia de Maio, uma das mais importantes datas do calendário, pena que poucos sabem disso (será mesmo que é uma pena?).  Eis aqui a Lua e o Monte Saint-Michel, na França, lugar de grandes mistérios, iniciações secretas, morada de anjos... Enfim, uma Maravilhosa Noite de Lua Cheia! Meus sinceros votos!!! 

Aujourd'hui, c'est la Pleine Lune de Mai, une des dates du calendrier le plus important, dommage que peu le savent (est-ce vraiment une honte?). Voici la Lune et le Mont Saint-Michel, en France, un lieu de grands mystères, des initiations secrètes, habitation des anges ... Quoi qu'il en soit, une Nuit Merveilleuse de Lune Pleine! Mes vœux les plus sincères!!!

-------------------------------
Robson Gimenes, Prof.


quarta-feira, 28 de maio de 2008

O vestibular e a cultura do diploma


   O vestibular - esse ritual cruel pelo qual jovens brasileiros de classe média para cima são obrigados a passar - revela um descompasso entre o sistema universitário brasileiro e as demandas do mercado profissional moderno.
   No Brasil garotos de 17 anos são obrigados a tomar uma decisão que, teoricamente, vai marcar toda a sua vida. Quem conhece jovens nessa faixa etária sabe do absurdo que é impor a eles decisões desse porte.  
   O adolescente está começando a experimentar o mundo de forma independente, está testando os limites de tudo, e por isso, erra, muitas vezes de forma literalmente fatal.
   O erro está na natureza da experimentação e o importante é que o jovem seja incentivado a continuar experimentando. É assim que qualquer um cresce e amadurece. Aliás, uma das coisas chatas da velhice é que muitos começam a ficar com medo de experimentar, e vira aquele tédio danado.
   Mas o vestibular - e, mais especificamente, o sistema universitário brasileiro - despreza tudo isso. Impõe um ritual em que o erro traz o risco de "não dar certo na vida". É antipedagógico: diz ao adolescente que ele, agora, não pode mais experimentar.
   Na década passada, a PUC de São Paulo tentou implantar o Ciclo Básico. No lugar de escolher imediatamente seu curso, o estudante fazia dois anos de conhecimentos gerais na universidade. Só depois disso é que definia sua área.
   Não deu certo. A cultura brasileira já está de certa forma habituada a esse ritual e exige uma definição precoce do jovem. A PUC começou a perder alunos e voltou ao esquema anterior.
  Nos EUA, o curso de graduação é chamado de "undergraduation", ou subgraduação. É muito mais parecido com o ciclo básico que a PUC experimentou do que com a tradicional graduação universitária brasileira.
   Os jovens americanos já entram na universidade sabendo que farão uma pós-graduação - que lá se chama "graduation". É nela que se especializarão. A "undergraduation" é uma fase de experimentação.
   E o que isso tem a ver com o mercado profissional? Hoje, acima de qualquer coisa, o profissional precisa ter uma formação ampla - em línguas, geografia, história, antropologia, literatura. É esse o profissional que consegue se adaptar melhor à estonteante velocidade com que as coisas estão mudando.
   Mas no Brasil, não. A cultura é cartorial: todos querem receber o mais rápido possível um papelzinho que o define como profissional: médico, jornalista, engenheiro... Mesmo que isso indique que ele não vai conseguir emprego na área em que se formou.
   Há novas experiências de vestibular em curso no Brasil - como a avaliação continuada no ensino médio (2º grau), em que o jovem faz exames ao longo de três anos, escapando da prova única e definitiva.
   Mas isso é apenas o começo. O que precisa mudar não é nem tanto o procedimento de seleção de alunos e sim a especialização precoce que está sendo imposta pelo sistema universitário brasileiro.
  E é esse sistema - responsável pela produção de conhecimentos na sociedade - que tem de apontar para uma mudança cultural na qual essa especialização precoce, simbolizada pelo diploma de graduação, deixe de ser tão valorizada pelos brasileiros.
   O profissional do século XXI terá de estudar a vida toda. 

Fernando Rossetti é repórter da Folha de São Paulo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

"Quero"

Quero
por Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

 

Carlos Drummond de Andrade
(escritor brasileiro, 1902-1987)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Pelo sonho é que vamos"

Pelo sonho é que vamos
por Sebastião da Gama 

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama
(poeta e professor português, 1924-1952)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

"A Paz do Mundo e a Paz Interior"

A Paz do Mundo e a Paz Interior
por Eduardo Samuel Ferreira

Mesmo num ambiente conturbado
é possível ter paz interior.
Mas é muito difícil manter o equilíbrio
com aquilo que nos desagradou.

Será impossível ter paz mundial enquanto
houver divergências religiosas, sociais e morais.
O que num país é aceito
no outro não se quer mais.

Existe país pacífico,
mas é uma exceção.
Numa casa conturbada, pode nascer um ser
que agirá com razão.

Se o mundo tivesse paz,
não teríamos a ira da natureza.
Se os homens tivessem paz interior, as luzes dos
presídios não estariam acesas.

Aquele que proporciona a Guerra Mundial
é o mesmo que não tem paz interior.
Se o mesmo entendesse Jesus,
não proporcionaria tanta dor.


Eduardo Samuel Ferreira
(poeta brasileiro, 1968)

domingo, 23 de setembro de 2007

Píramo e Tisbe

   

   Píramo era o mais belo jovem e Tisbe, a mais formosa donzela em toda a Babilônia, onde Semíramis reinava. Seus pais moravam em casas contíguas; a vizinhança aproximou os dois jovens e o conhecimento transformou-se em amor. Seriam venturosos se se casassem, mas seus pais proibiram. Uma coisa, contudo, não podiam proibir: que o amor crescesse com o mesmo ardor no coração dos dois jovens. Conversavam por sinais ou por meio de olhares, e o fogo se tornava mais intenso, por ser oculto.

   Na parede que separava as duas casas, havia uma fenda provocada por algum defeito de construção. Ninguém a havia notado antes, mas os amantes a descobriram. Que há que o amor não descubra? A fenda permitia a passagem da voz; e ternas mensagens passaram nas duas direções, através da fenda. Quando Píramo e Tisbe se punham de pé, cada um de seu lado, suas respirações se confundiam.

   - Parede cruel! - exclamavam. - Por que manténs separados dois amantes? Mas não seremos ingratos. Devemos-te, confessamos, o privilégio de dirigir palavras de amor a ouvidos complacentes.

   Diziam tais palavras, cada um de seu lado da parede; e, quando a noite chegava e tinham de dizer adeus, apertavam o lábio contra a parede, ela do seu lado, ele do outro, já que não podiam aproximar-se mais.

   De manhã, quando a aurora expulsara as estrelas e o sol derretera o granizo nas ervas, os dois encontraram-se no lugar de costume. E então, depois de lamentarem seu cruel destino, combinaram que, na noite seguinte, quando tudo estivesse quieto, eles se furtariam aos olhares vigilantes, deixariam suas moradas, dirigir-se-iam ao campo e, para um encontro, iriam ter a um conhecido monumento que ficava fora dos limites da cidade, chamado o Túmulo de Nino, e combinaram que aquele que chegasse primeiro esperaria o outro, junto de uma certa árvore. Era uma amoreira branca, próxima de uma fonte. Tudo ficou combinado e os dois aguardaram, impacientes, que o sol se escondesse sob as águas e que à noite delas se levantasse. Então, Tisbe ergueu-se, cautelosamente, sem ser observada pela família, cobriu a cabeça com um véu, caminhou até o monumento e sentou-se embaixo da árvore. Enquanto estava ali sentada, sozinha, à luz difusa da noite, avistou uma leoa, que, com a boca ensanguentada por uma presa recente, aproximava-se da fonte, para matar a sede. Ao vê-la, Tisbe fugiu e refugiou-se numa gruta, deixando cair o véu quando fugia. A leoa, depois de saciar a sede na fonte, virou-se para voltar aos bosques, e, ao ver o véu no chão, investiu contra ele e despedaçou-o, com sua boca ensangüentada.

   Píramo, que se atrasara, aproximou-se, então, do local do encontro. Viu, na areia, as pegadas da leoa e o sangue fugiu-lhe das faces. Logo em seguida, encontrou o véu, dilacerado e cheio de sangue.

   - Desventurada donzela! - exclamou. - Fui a causa de tua morte! Tu, mais digna de viver que eu, caíste como primeira vítima. Seguir-te-ei. Fui o culpado, atraindo-te a um lugar tão perigoso, e não estando ali eu próprio a guardar-te. Vinde, leões, dos rochedos e despedaçai com vossos dentes este corpo maldito!

   Apanhou o véu, levou-o até a árvore onde fora combinado o encontro, e cobriu-o de beijos e lágrimas.

   - Meu sangue também manchará teu tecido - exclamou.

   E arrancando a espada mergulhou-a no coração. O sangue esguichou da ferida, tingiu de vermelho as amoras brancas da árvore, e, penetrando na terra, atingiu as raízes, de modo que a cor vermelha subiu, através do tronco, até o fruto.

  Enquanto isso, Tisbe, ainda trêmula de medo, e não desejando, contudo, desapontar o amante, saiu cautelosamente, procurando o jovem com aflição, ansiosa por contar-lhe o perigo que atravessara. Ao chegar ao local e vendo a nova cor das amoras, duvidou que estivesse no mesmo lugar. Enquanto hesitava, avistou um vulto que se debatia nas vascas da agonia. Recuou, e um tremor percorreu-lhe o corpo todo, como a água tranquila se encrespa ao ser atingida por uma lufada repentina de vento. Logo, porém, reconheceu o amante, gritou e bateu no peito, abraçando-se ao corpo sem vida, derramando lágrimas sobre as feridas e beijando os lábios frios.

   - Píramo, quem te fez isto? - exclamou. - Responde, Píramo! É tua Tisbe quem fala. Sou eu, a tua Tisbe, quem fala. Ouve-me, meu amor, e ergue esta cabeça pendente!
   
   Ao ouvir o nome de Tisbe, Píramo abriu os olhos e fechou-os de novo. A donzela avsitou o véu ensanguentado e a bainha vazia da espada.

   - Tua própria mão te matou e por minha causa - disse. - Também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão forte quando o teu. Seguir-te-ei na morte, pois dela fui a causa; e a morte, que era a única que nos podia separar, não me impedirá de juntar-me a ti. E vós, infelizes pais de nós ambos, não negueis nossas súplicas conjuntas. Como o amor e a morte nos juntaram, deixai que um único túmulo nos guarde. E tu, árvore, conserva as marcas de nossa morte. Que tuas frutas sirvam como memória de nosso sangue.

   Assim dizendo, mergulhou a espada no peito.

  Os pais ratificaram seu desejo, e também os deuses. Os dois corpos foram enterrados na mesma sepultura, e a árvore passou a dar frutos vermelhos, como faz até hoje.

*** Comentários ***

   Moore, na "Batalha da Sílfide", referindo-se à lâmpada de segurança de Davy, relembra a parede que separava Tisbe de seu amante.

"Bendita a gaze de metal tão fina Seguro protetor;
Com que Davy rodeia, e que domina
O fogo destruidor.
Através da parede, a todo o instante,
Podem a Chama e o Ar, como podiam Tisbe e seu amante,
Se ver, mas não beijar."

   Nos Lusíadas, há a seguinte alusão indireta ao episódio de Píramo e Tisbe e à metamorfose das amoras, quando o poeta descreve a Ilha dos Amores:

"Os dons que dá Pomona, ali natura
Produz diferentes nos sabores,
Sem ter necessidade de cultura,
Que sem ela se dão muito melhores;
As cerejas purpúreas na pintura;
As amoras, que o nome têm de amores;
O pomo, que da pátria Pérsia veio,
Melhor tornado no terreno alheio."

   Se o leitor tem tão pouco coração que se disponha a dar algumas gargalhadas à custa dos desventurados Píramo e Tisbe, terá oportunidade de fazê-lo recorrendo à comédia de Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão, onde o episódio é apresentado de forma divertida.

Fonte:
Bulfinch, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.

1º Médio - Mapa Mental - "Contos" de Machado de Assis - 2026

  Pessoal: Faremos um mapa mental do livro Contos, de Machado de Assis. O livro apresenta 9 contos. O mapa mental será do conto “O alien...