terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

1º Médio - Roteiro de Estudo P1 de Literatura e Arte - Março de 2026


 ROTEIRO DE ESTUDO

Prova Mensal de Literatura P1- 1º Médio

Humanismo | Contos | Machado de Assis

LITERATURA

A Poesia Lírica no Humanismo

O Humanismo foi um movimento cultural e literário que surgiu na Europa entre os séculos XIV e XVI, marcando a transição entre a Idade Média e o Renascimento. Em Portugal, o período humanista na literatura vai aproximadamente de 1434 a 1527. A poesia lírica desse momento se caracteriza por uma volta à tradição greco-latina e por uma maior valorização do ser humano — daí o nome "humanismo".

A poesia lírica humanista herda as formas medievais, como a cantiga (de amor, de amigo e de escárnio), mas passa a incorporar temas mais reflexivos, com atenção à vida cotidiana, à natureza e ao sentimento amoroso.

Características principais da poesia lírica humanista: expressão dos sentimentos do "eu", valorização do amor platônico, uso de figuras de linguagem como a metáfora e o apóstrofe, estrutura em redondilhas (versos de 5 ou 7 sílabas) e, mais tarde, o soneto de influência italiana.


Poesia e Ficção

A poesia é uma forma de expressão que organiza a linguagem de maneira especial — com ritmo, musicalidade, imagens e escolhas cuidadosas de palavras — para transmitir emoções, ideias e visões de mundo. A ficção, por sua vez, é toda narrativa que constrói uma realidade imaginada, mesmo que inspirada em fatos reais.

O ponto de contato entre os dois é que tanto a poesia quanto a ficção não são cópias da realidade: são representações elaboradas, criações da linguagem.


O Fingimento Poético em "Autopsicografia", de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888–1935) é o maior poeta da língua portuguesa do século XX. Ele criou os famosos heterônimos — personagens com biografia, estilo e visão de mundo próprios — como Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O poema "Autopsicografia" foi escrito sob o nome do próprio Pessoa (o chamado "ortônimo").

O poema:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

O que é o fingimento poético? Pessoa propõe que o poeta não expressa diretamente o que sente. Ele transforma a emoção vivida em emoção poética — ou seja, recria o sentimento pela linguagem. Há três níveis no poema: a dor real do poeta, a dor fingida (transformada em arte) e a dor sentida pelo leitor (que é diferente das duas anteriores). A poesia, portanto, não é confissão — é construção.


O Eu Lírico nos Poemas

O eu lírico é a voz que fala no poema. Não se confunde com o autor: é uma persona criada para expressar sentimentos, reflexões e visões. Assim como um ator não é o personagem que interpreta, o poeta não é o eu lírico — mesmo quando escreve em primeira pessoa.


O Movimento da Poesia Concreta

A Poesia Concreta surgiu no Brasil na década de 1950, encabeçada pelo grupo Noigandres, formado por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. O manifesto "Plano-Piloto para Poesia Concreta" (1958) definiu suas bases teóricas.

Características principais:

A poesia concreta rompe com a linearidade do verso tradicional. O poema passa a ser tratado como um objeto visual: as palavras são dispostas na página de forma não convencional, explorando o espaço gráfico. O som, o sentido e a forma visual se integram numa só experiência. A pontuação e a sintaxe tradicional são abandonadas. As palavras podem ser repetidas, fragmentadas ou combinadas de maneiras inusitadas para criar novos sentidos.


"A Cartomante", de Machado de Assis — A Personalidade de Rita

"A Cartomante" (1884) é um conto de Machado de Assis que narra um triângulo amoroso entre Camilo, Vilela (seu amigo) e Rita (esposa de Vilela), que se tornou amante de Camilo.

Rita é uma personagem de personalidade marcante: sedutora, determinada e supersticiosa. É ela quem procura a cartomante quando tem medo de perder o amante, e é sua imprudência — escrever uma carta comprometedora — que desencadeia o trágico final. Rita acredita nas previsões da cartomante ("não tema nada"), o que a torna cega para o perigo real.


"Uns Braços", de Machado de Assis — O Narrador e os Sonhos

"Uns Braços" (1885) é um conto em que Inácio, um jovem de 15 anos que vive como agregado na casa de Borges, desenvolve uma obsessão pelos braços de Dona Severina, esposa do patrão.

Na cena em questão, Dona Severina observa Inácio dormir e o narrador aproveita para fazer uma reflexão sobre os sonhos. O rapaz, enquanto dorme, sorri — provavelmente sonhando com os braços dela. Severina percebe isso e sente uma mistura de curiosidade, vaidade e turbação.


O Estilo Machadiano

Machado de Assis (1839–1908) é considerado o maior escritor da literatura brasileira. Fundador da Academia Brasileira de Letras, sua obra é dividida em duas fases: a romântica (antes de 1880) e a realista (a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881).

O que torna Machado original?

Na estrutura narrativa, Machado rompe com a linearidade. Seus narradores são não confiáveis. Há constantes digressões, interpelações ao leitor, capítulos brevíssimos e saltos temporais.

No tom, há uma ironia fina e cortante que nunca é panfletária. Essa ironia é sofisticada porque se esconde sob uma linguagem elegante e aparentemente neutra.

Na construção dos personagens, Machado mergulha na psicologia — nos autoenganos, nas motivações inconscientes, nas contradições humanas. Rita, em "A Cartomante", e Dona Severina, em "Uns Braços", são exemplos de personagens que não são simplesmente bons ou maus, mas complexos e verossímeis.


ARTE

O Conceito de Arte e sua Função como Expressão Humana

Arte é uma forma de linguagem — talvez a mais antiga que o ser humano desenvolveu. Ela não precisa ser "bonita" nem seguir regras fixas: o que a define é a intencionalidade expressiva, ou seja, a vontade de comunicar algo por meio de uma forma sensível (visual, sonora, corporal, verbal).

As funções da arte ao longo da história são múltiplas. Ela pode ter função ritual ou religiosa, função política, função estética, função crítica ou função catártica — a arte como forma de processar emoções e experiências.


As Vênus do Paleolítico Superior

As estatuetas conhecidas como "Vênus" foram produzidas durante o Paleolítico Superior (aproximadamente entre 40.000 e 10.000 a.C.) e são encontradas em toda a Europa, do Atlântico à Sibéria. A mais famosa é a Vênus de Willendorf, descoberta na Áustria e datada de cerca de 25.000 a.C.

O que isso significa? As partes do corpo relacionadas à fertilidade e à maternidade são hipervalorizadas, enquanto o rosto (a identidade individual) é ignorado. Isso sugere que a figura não representa uma mulher específica, mas um símbolo.

2º Médio - Roteiro de Estudo P1 de Literatura - Março de 2026

 

ROTEIRO DE ESTUDO

Prova Mensal de Literatura P1- 2º Médio

Realismo | Dom Casmurro | Eça de Queirós | Machado de Assis

Parte 1 – O que é Literatura?

Antes de mergulharmos no Realismo, é fundamental entender o que faz um texto ser literário.

1.1 Características do Texto Literário

A literatura é uma forma de arte que usa a linguagem como matéria-prima. Mas não é qualquer uso da linguagem: enquanto uma notícia quer informar de forma objetiva e direta, o texto literário usa a linguagem de maneira estética e conotativa — ou seja, as palavras ganham novos significados, provocam emoções e abrem espaço para múltiplas interpretações.

Exemplo prático:

Texto informativo:

"O sol nasce às 6h12 em São Paulo nesta segunda-feira."

Texto literário:

"E o sol, indiferente, acordou mais uma vez sobre a cidade barulhenta, sem saber que naquele dia uma criança aprendia a ler pela primeira vez."

 Parte 2 – O Realismo

2.1 O que é o Realismo?

O Realismo foi um movimento literário e cultural que surgiu na segunda metade do século XIX, principalmente a partir de 1850 na Europa, chegando ao Brasil por volta de 1881. Ele surgiu como uma reação ao Romantismo — a escola anterior — que valorizava a emoção, a imaginação, o idealismo e a fuga da realidade.

O Realismo fez o oposto: quis olhar para a realidade como ela é, com todos os seus problemas, hipocrisias e contradições.

2.2 Romantismo x Realismo: a grande virada

Romantismo

Realismo

Idealização do amor e dos personagens

Análise psicológica e crítica social

Emoção, sentimentos exaltados

Razão, objetividade, observação

Fuga da realidade

Retrato fiel e crítico da realidade

Herói perfeito, sem defeitos

Personagem complexo, cheio de contradições

Linguagem rebuscada e emocional

Linguagem clara, irônica, analítica

Amor idealizado e impossível

Casamento como contrato social

 2.3 A Conferência do Casino (1871) – Eça de Queirós

Em 1871, em Lisboa, ocorreu uma série de palestras chamadas Conferências do Casino. Eça de Queirós foi um dos participantes e definiu o Realismo como um movimento dedicado à análise racional e à crítica dos costumes e das instituições sociais. Para Eça, a literatura devia ser uma ferramenta de transformação social — denunciar hipocrisias, expor os problemas da burguesia e questionar as estruturas da sociedade.

A fórmula do Realismo segundo Eça de Queirós:

Arte = Análise racional da sociedade + Crítica dos costumes e instituições + Verossimilhança (parecer verdadeiro)

 2.4 Verossimilhança: o que é isso?

Verossimilhança vem do latim "verus similis" = que parece verdadeiro. Uma obra realista não precisa ser literalmente verdadeira (como um documentário), mas precisa parecer verdadeira — ser coerente com a realidade que conhecemos, respeitar a lógica dos comportamentos humanos e evitar o sobrenatural ou o impossível.

Exemplo:

Um romance realista pode inventar personagens e situações, mas eles devem agir como pessoas reais agem: com motivações compreensíveis, limitações humanas, contradições internas. Se um personagem mente para proteger sua posição social, isso é verossímil. Se de repente voa pelos ares sem explicação, isso quebra a verossimilhança realista.

 2.5 A Literatura como Crítica Social

Um dos pilares do Realismo é usar a literatura como instrumento de denúncia. Os autores realistas não escreviam só para entreter — queriam expor problemas reais da sociedade. Os principais alvos eram:

       A hipocrisia da burguesia (a classe média alta que fingia ser virtuosa, mas escondia vícios).

       As desigualdades sociais e econômicas.

       A instituição do casamento como arranjo social, não como amor genuíno.

       O comportamento dos agregados e dependentes nas casas ricas.

       A Igreja e o poder religioso sobre as famílias.

       A escravidão e suas consequências no Brasil.

 2.6 Eça de Queirós – O Realismo Português

Eça de Queirós (1845–1900) é considerado o maior representante da prosa realista em Portugal. Suas obras mais famosas incluem O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e A Relíquia. Eça renovou completamente a linguagem do romance português, abandonando o estilo rebuscado e emocional do Romantismo para adotar uma prosa mais irônica, precisa e analítica.

Parte 3 – Dom Casmurro e Machado de Assis

3.1 Machado de Assis – O Realismo Brasileiro

Joaquim Maria Machado de Assis (1839–1908) é o maior nome da literatura brasileira e o principal representante do Realismo no Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um pintor mulato e uma lavadeira portuguesa, Machado superou todas as adversidades sociais para se tornar um escritor brilhantíssimo, fundador da Academia Brasileira de Letras.

Suas obras se dividem em duas fases. A primeira fase (Romântica) inclui livros como Ressurreição e A Mão e a Luva. A segunda fase (Realista), que começa com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), é a mais importante, com Dom Casmurro (1899) e Quincas Borba.

3.2 Dom Casmurro – Resumo da Obra

Dom Casmurro é narrado em primeira pessoa por Bento Santiago, um advogado rico que ficou conhecido pelo apelido 'Dom Casmurro' (dado por um jovem poeta que ele não quis ouvir declamar versos numa noite de trem — 'dom' era irônico, e 'casmurro' significa fechado, taciturno).

Na velhice, Bento escreve suas memórias tentando "atar as duas pontas da vida" — ou seja, recuperar o passado e encontrar sentido para sua vida. Ele conta como se apaixonou por Capitu, sua vizinha desde a infância, como precisou ir para o seminário (pois a mãe tinha feito uma promessa a Deus), como se casou com Capitu, e como chegou à convicção de que ela o traiu com seu melhor amigo, Escobar.

3.3 A Evocação da Memória – Narrador em Primeira Pessoa

Dom Casmurro é um romance memorialista: o narrador Bento conta fatos do passado a partir de sua perspectiva atual, já velho e ressentido. Isso é fundamental para entender a obra!

Por que o narrador não é confiável?

Bento Santiago tem ciúme e mágoa ao narrar. Ele seleciona as memórias que quer contar, interpreta os gestos de Capitu à luz de sua desconfiança, e tenta convencer o leitor de que foi traído. Mas será que foi mesmo? O leitor nunca tem provas concretas — só a versão de Bento.

Um narrador não confiável é aquele cuja versão dos fatos pode ser questionada porque é influenciada por seus próprios sentimentos, traumas ou interesses.

 O célebre exemplo dos 'olhos de ressaca' de Capitu:

Bento descreve os olhos de Capitu como 'olhos de ressaca' — profundos, misteriosos, que puxavam para dentro. Essa metáfora é ambígua: pode representar a beleza hipnotizante de Capitu, mas também a ideia de que ela era perigosa, que 'arrastava' os homens. Machado usa a linguagem do próprio narrador para mostrar sua obsessão e desconfiança.

3.4 A Digressão – Técnica Narrativa de Machado

Machado de Assis era famoso por interromper o fluxo da narrativa para conversar diretamente com o leitor ou fazer comentários filosóficos e irônicos sobre o que estava escrevendo. Essa técnica se chama digressão.

As digressões também servem para o narrador tentar persuadir o leitor de sua versão da história — o que reforça a ideia de que Bento não é confiável.

3.5 Os Personagens e a Crítica Social

José Dias – O Agregado

José Dias é um dos personagens mais interessantes de Dom Casmurro. Ele é um 'agregado' — alguém que não é da família, mas vive na casa de Dona Glória, come à mesa dos donos e depende deles para sobreviver. Em troca, oferece adulação, bajulação e pequenos serviços.

 

Característica

Romantismo (Antigo)

Realismo (Foco da Prova)

Visão de Mundo

Idealização e Sonho

Análise Crítica e Racional

Personagens

Heróis Perfeitos

Seres com falhas e vícios

Linguagem

Rebuscada e Sentimental

Direta, objetiva e irônica

Temática

Escapismo e Passado

Problemas Sociais e Presente

 Bom estudo e Boa prova!

 

3º Médio - Roteiro de Estudo P1 de Literatura - Março de 2026

 

ROTEIRO DE ESTUDO

Prova Mensal de Literatura P1- 3º Médio

Classicismo Português | Camões Lírico e Épico

1. Introdução: O que é Literatura?

Antes de entrar no Classicismo, é essencial compreender o que diferencia um texto literário de um texto comum. A literatura é uma arte que se utiliza da linguagem de forma especial: não para transmitir informações objetivas, mas para criar experiências estéticas, emocionais e reflexivas.

Características do Texto Literário

       Linguagem conotativa: as palavras ganham sentidos figurados, além do significado literal.

       Plurissignificação: um mesmo texto pode ter várias interpretações válidas.

       Uso intencional de figuras de linguagem (metáfora, paradoxo, hipérbole etc.).

       Não há uma única "verdade" a ser transmitida — o texto literário convida à reflexão.

       Pode ser escrito em verso ou em prosa (não obrigatoriamente em versos com rima).

Exemplo prático

Compare as duas frases:

Texto informativo: "A temperatura máxima hoje é de 38°C."

 

Texto literário: "O sol queimava a terra como um olho de brasa aberto sobre o sertão." (inspirado em Guimarães Rosa)

 

No segundo exemplo, a linguagem é figurada, imagética e cria uma sensação. Isso é literatura.

2. O Classicismo Português

O Classicismo é o movimento literário e artístico que chegou a Portugal no século XVI, impulsionado pelo Renascimento europeu. Representa uma ruptura com a visão medieval e uma valorização da cultura greco-romana clássica, da razão, do humanismo e da harmonia formal.

Contexto histórico

       Portugal vivia a era das Grandes Navegações — expansão marítima, riqueza e contato com novos mundos.

       A mentalidade humanista colocava o ser humano no centro do pensamento (em oposição ao teocentrismo medieval).

       Artistas e escritores buscavam equilíbrio, clareza e perfeição formal.

O Bifrontismo — fenômeno cultural único

Portugal viveu uma transição gradual entre o medievalismo e o Renascimento. Por isso, ocorreu o chamado bifrontismo: a coexistência de duas estéticas distintas na mesma época e, por vezes, na mesma obra.

Medida Velha (Medieval)

Versos de 5 ou 7 sílabas poéticas

Formas: cantiga, vilancete, redondilha

Temas: popular, trovadoresco

Medida Nova (Renascentista)

Versos decassílabos (10 sílabas)

Formas: soneto, ode, écloga

Temas: mitologia greco-romana, amor platônico

 

O bifrontismo é claramente visto em Camões, que escreveu tanto na medida velha (vilancetes, redondilhas) quanto na medida nova (sonetos, Os Lusíadas).

3. Camões Lírico

Luís Vaz de Camões (c. 1524–1580) é o maior nome do Classicismo português e um dos maiores poetas da língua portuguesa. Sua lírica é marcada pela profundidade filosófica, pelo tratamento do amor e pela perfeição formal.

O Soneto — a forma clássica por excelência

O soneto é a forma poética mais representativa da medida nova. Sua estrutura é fixa:

       2 quartetos (estrofes de 4 versos) + 2 tercetos (estrofes de 3 versos) = 14 versos ao total.

       Versos decassílabos (10 sílabas poéticas).

       Os quartetos geralmente apresentam o tema/problema; os tercetos trazem a conclusão ou reflexão.

O Amor na Lírica Camoniana

Camões foi fortemente influenciado pelo neoplatonismo, corrente filosófica que via o amor como uma força espiritual elevada. No entanto, o amor em Camões é também doloroso, contraditório e impossível de ser plenamente vivido.

O Paradoxo — figura central em Camões

O paradoxo é a figura de linguagem que une ideias aparentemente contraditórias para revelar uma verdade mais profunda. É a marca registrada da lírica camoniana.

Cada verso apresenta um paradoxo:

       "Fogo que arde sem se ver" → o amor é intenso, mas invisível.

       "Ferida que dói e não se sente" → causa sofrimento, mas o amante não percebe.

       "Contentamento descontente" → gera satisfação e insatisfação ao mesmo tempo.

Perceba que Camões não usa uma metáfora simples como "amor é fogo". Ele vai além: é um fogo que arde sem ser visto — logo, o paradoxo aprofunda e complexifica a metáfora.

Outras figuras de linguagem importantes

       Metáfora: comparação implícita sem o uso de "como" (ex: "Amor é fogo").

       Hipérbole: exagero expressivo (ex: serviria mil anos por amor).

       Pleonasmo: redundância expressiva e intencional.

       Eufemismo: suavização de algo doloroso ou negativo.

4. Camões Épico — Os Lusíadas

Os Lusíadas (1572) é o grande poema épico da língua portuguesa e a obra máxima de Camões. Narra a viagem de Vasco da Gama ao redor do Cabo da Boa Esperança até as Índias (1497–1499), mas, ao mesmo tempo, celebra toda a história de Portugal.

Características da Epopeia

       Narração de um feito grandioso, histórico e heroico (a viagem às Índias).

       Presença de deuses e seres mitológicos (Vênus, Baco, Marte etc.) — influência greco-romana.

       Linguagem elevada, formal, com versos decassílabos em estâncias de oito versos (oitava rima).

       Dividido em 10 cantos com 1.102 estrofes.

       "Os Lusíadas" = "os lusitanos" = os portugueses.

Estrutura de Os Lusíadas

Proposição

Apresentação do tema: a viagem e os feitos lusitanos

Invocação

Chamado às Tágides (ninfas do Tejo) para inspirar o poeta

Dedicatória

Dedicada ao rei D. Sebastião

Narração

A viagem de Vasco da Gama + episódios históricos de Portugal

Epílogo

Reflexões finais e lamentos do poeta sobre Portugal

5. Nísia Floresta

Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810–1885) foi escritora, educadora e precursora do feminismo no Brasil. Em sua obra Opúsculo Humanitário (1853), defendeu o acesso das mulheres à educação formal e criticou a exclusão feminina da vida intelectual e social.

       Traduziu e adaptou a obra A Vindication of the Rights of Woman (de Mary Wollstonecraft) para o contexto brasileiro.

       Fundou uma escola para meninas no Rio de Janeiro.

       Seu feminismo estava ligado ao humanismo e ao iluminismo — não ao Arcadismo, Barroco ou Parnasianismo.

Sua atuação foi pioneira: no século XIX, quando as mulheres brasileiras não tinham direito à educação ou à vida pública, Nísia defendeu sua plena participação na sociedade.

6. Análise Comparativa de Textos

A prova pode pedir a comparação de textos de épocas diferentes. Saiba como fazer isso:

Metodologia de análise comparativa

       Identifique o tema central de cada texto.

       Observe como cada autor trata esse tema (com que linguagem, figuras, tom).

       Procure pontos de convergência (o que há em comum) e divergência (o que é diferente).

       Não confunda a forma (épocas, estilos diferentes) com o conteúdo (temas que podem ser universais).

 Bom estudo e Boa Prova!

9º Ano - Roteiro de Estudo P1 de Português - Março de 2026

 

Roteiro de Estudo de Língua Portuguesa – P1
9º Ano – Março de 2026

1. Pronomes Relativos

Eles conectam duas orações e substituem um termo que já apareceu (o antecedente).

  • O qual (e variações): Usado para evitar ambiguidade ou após preposições longas. Concorda em gênero e número (a qual, os quais, as quais).
  • Quem: Refere-se exclusivamente a pessoas. Geralmente vem precedido de preposição.
    • Ex: Este é o autor a quem me refiro.
  • Onde: Indica lugar físico/estático. Nunca use para tempo ou situações.
    • Ex: A cidade onde nasci é pequena.
  • Cujo: Indica posse e liga dois substantivos. Ele concorda com o que vem depois (o objeto possuído) e nunca aceita artigo depois dele (não existe "cujo o").
    • Ex: Este é o escritor cujos livros li.

2. Regência Verbal

O segredo aqui é o uso da preposição. Alguns verbos mudam de comportamento se houver um pronome junto.

Verbo

Transitividade

Exemplo

Lembrar / Esquecer

VTD (Sem preposição)

Eu esqueci o compromisso.

Lembrar-se / Esquecer-se

VTI (Com preposição DE)

Eu me esqueci do compromisso.

Dica de ouro: Ou você usa o "SE" e a preposição "DE" juntos, ou não usa nenhum dos dois.

  • Errado: Eu me esqueci o livro. / Eu esqueci do livro.
  • Certo: Eu me esqueci do livro. / Eu esqueci o livro.

3. Figuras de Linguagem (Oposição)

Muitas pessoas confundem essas duas, mas a diferença está na lógica.

  • Antítese: Aproximação de palavras com sentidos opostos, mas que fazem sentido na realidade.
    • Ex: O dia e a noite se completam. (Dia e noite coexistem sem anular a lógica).
  • Paradoxo (Oxímoro): Ideias opostas que se fundem em uma só, criando uma contradição lógica. Parece impossível.
    • Ex: "É um contentamento descontente" (Camões). (Como algo pode ser feliz e infeliz ao mesmo tempo?).

4. Formas Nominais do Verbo

São chamadas assim porque o verbo assume a função de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e não possui tempo ou modo definido.

  1. Infinitivo: O verbo em seu estado puro. Termina em -ar, -er, -ir.
    • Ex: Viver é um desafio.
  2. Gerúndio: Indica uma ação em curso ou contínua. Termina em -ndo.
    • Ex: Ele está estudando agora.
  3. Particípio: Indica uma ação finalizada. Termina em -ado, -ido.
    • Ex: O trabalho foi concluído.

Dicas de Estudo

  1. Pratique a substituição: Tente trocar o "que" por "o qual" em textos para ver se a concordância está certa.
  2. Crie frases próprias: Escreva uma frase com Lembrar e outra com  Lembrar-se para fixar a regência.
  3. Identifique no cotidiano: Ao ouvir uma música, tente achar antíteses ou paradoxos na letra.

1º Médio - Roteiro de Estudo P1 de Literatura e Arte - Março de 2026

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