ROTEIRO DE ESTUDO
Prova Mensal de Literatura P1- 1º Médio
Humanismo | Contos | Machado de Assis
LITERATURA
A Poesia Lírica no Humanismo
O Humanismo foi um movimento
cultural e literário que surgiu na Europa entre os séculos XIV e XVI, marcando
a transição entre a Idade Média e o Renascimento. Em Portugal, o período
humanista na literatura vai aproximadamente de 1434 a 1527. A poesia lírica
desse momento se caracteriza por uma volta à tradição greco-latina e por uma
maior valorização do ser humano — daí o nome "humanismo".
A poesia lírica humanista herda
as formas medievais, como a cantiga (de amor, de amigo e de escárnio), mas
passa a incorporar temas mais reflexivos, com atenção à vida cotidiana, à
natureza e ao sentimento amoroso.
Características principais da
poesia lírica humanista: expressão dos sentimentos do "eu",
valorização do amor platônico, uso de figuras de linguagem como a metáfora e o
apóstrofe, estrutura em redondilhas (versos de 5 ou 7 sílabas) e, mais tarde, o
soneto de influência italiana.
Poesia e Ficção
A poesia é uma forma de expressão
que organiza a linguagem de maneira especial — com ritmo, musicalidade, imagens
e escolhas cuidadosas de palavras — para transmitir emoções, ideias e visões de
mundo. A ficção, por sua vez, é toda narrativa que constrói uma realidade
imaginada, mesmo que inspirada em fatos reais.
O ponto de contato entre os dois
é que tanto a poesia quanto a ficção não são cópias da realidade: são
representações elaboradas, criações da linguagem.
O Fingimento Poético em
"Autopsicografia", de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa (1888–1935) é o
maior poeta da língua portuguesa do século XX. Ele criou os famosos heterônimos
— personagens com biografia, estilo e visão de mundo próprios — como Alberto
Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O poema "Autopsicografia"
foi escrito sob o nome do próprio Pessoa (o chamado "ortônimo").
O poema:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
O que é o fingimento poético?
Pessoa propõe que o poeta não expressa diretamente o que sente. Ele transforma
a emoção vivida em emoção poética — ou seja, recria o sentimento pela
linguagem. Há três níveis no poema: a dor real do poeta, a dor fingida
(transformada em arte) e a dor sentida pelo leitor (que é diferente das duas
anteriores). A poesia, portanto, não é confissão — é construção.
O Eu Lírico nos Poemas
O eu lírico é a voz que
fala no poema. Não se confunde com o autor: é uma persona criada para expressar
sentimentos, reflexões e visões. Assim como um ator não é o personagem que
interpreta, o poeta não é o eu lírico — mesmo quando escreve em primeira
pessoa.
O Movimento da Poesia Concreta
A Poesia Concreta surgiu
no Brasil na década de 1950, encabeçada pelo grupo Noigandres, formado
por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. O manifesto
"Plano-Piloto para Poesia Concreta" (1958) definiu suas bases
teóricas.
Características principais:
A poesia concreta rompe com a
linearidade do verso tradicional. O poema passa a ser tratado como um objeto
visual: as palavras são dispostas na página de forma não convencional,
explorando o espaço gráfico. O som, o sentido e a forma visual se integram numa
só experiência. A pontuação e a sintaxe tradicional são abandonadas. As
palavras podem ser repetidas, fragmentadas ou combinadas de maneiras inusitadas
para criar novos sentidos.
"A Cartomante", de
Machado de Assis — A Personalidade de Rita
"A Cartomante" (1884) é
um conto de Machado de Assis que narra um triângulo amoroso entre Camilo,
Vilela (seu amigo) e Rita (esposa de Vilela), que se tornou amante de Camilo.
Rita é uma personagem de
personalidade marcante: sedutora, determinada e supersticiosa. É ela quem
procura a cartomante quando tem medo de perder o amante, e é sua imprudência —
escrever uma carta comprometedora — que desencadeia o trágico final. Rita
acredita nas previsões da cartomante ("não tema nada"), o que a torna
cega para o perigo real.
"Uns Braços", de
Machado de Assis — O Narrador e os Sonhos
"Uns Braços" (1885) é
um conto em que Inácio, um jovem de 15 anos que vive como agregado na casa de
Borges, desenvolve uma obsessão pelos braços de Dona Severina, esposa do
patrão.
Na cena em questão, Dona
Severina observa Inácio dormir e o narrador aproveita para fazer uma
reflexão sobre os sonhos. O rapaz, enquanto dorme, sorri — provavelmente
sonhando com os braços dela. Severina percebe isso e sente uma mistura de
curiosidade, vaidade e turbação.
O Estilo Machadiano
Machado de Assis (1839–1908) é
considerado o maior escritor da literatura brasileira. Fundador da Academia
Brasileira de Letras, sua obra é dividida em duas fases: a romântica (antes de
1880) e a realista (a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881).
O que torna Machado original?
Na estrutura narrativa,
Machado rompe com a linearidade. Seus narradores são não confiáveis. Há
constantes digressões, interpelações ao leitor, capítulos brevíssimos e saltos
temporais.
No tom, há uma ironia fina
e cortante que nunca é panfletária. Essa ironia é sofisticada porque se esconde
sob uma linguagem elegante e aparentemente neutra.
Na construção dos personagens,
Machado mergulha na psicologia — nos autoenganos, nas motivações inconscientes,
nas contradições humanas. Rita, em "A Cartomante", e Dona Severina,
em "Uns Braços", são exemplos de personagens que não são simplesmente
bons ou maus, mas complexos e verossímeis.
ARTE
O Conceito de Arte e sua
Função como Expressão Humana
Arte é uma forma de linguagem —
talvez a mais antiga que o ser humano desenvolveu. Ela não precisa ser
"bonita" nem seguir regras fixas: o que a define é a intencionalidade
expressiva, ou seja, a vontade de comunicar algo por meio de uma forma
sensível (visual, sonora, corporal, verbal).
As funções da arte ao longo da
história são múltiplas. Ela pode ter função ritual ou religiosa, função política,
função estética, função crítica ou função catártica —
a arte como forma de processar emoções e experiências.
As Vênus do Paleolítico
Superior
As estatuetas conhecidas como
"Vênus" foram produzidas durante o Paleolítico Superior
(aproximadamente entre 40.000 e 10.000 a.C.) e são encontradas em toda a
Europa, do Atlântico à Sibéria. A mais famosa é a Vênus de Willendorf,
descoberta na Áustria e datada de cerca de 25.000 a.C.
O que isso significa? As
partes do corpo relacionadas à fertilidade e à maternidade são
hipervalorizadas, enquanto o rosto (a identidade individual) é ignorado. Isso
sugere que a figura não representa uma mulher específica, mas um símbolo.